O CALVÁRIO DE CRISTO HOJE
História, Cultura e Trajetória da Igreja
em Esperantina
JUSTIFICATIVA
A escolha pelo tema religião
se deu em função da necessidade em se fomentar os aspectos da cultura religiosa
e sua influência no meio social. A partir da observação e análise do processo
de formação de outras cidades, notou-se que os fatores religiosos são
expressivos e responsáveis, inclusive, em grande parte, pelo próprio nome das
mesmas.
RELAÇÃO ENTRE OS DOIS CAMPOS DO CONHECIMENTO
A maior relação entre os dois
campos analisados pode ser observada a partir da própria polêmica envolvendo a
pintura localizada na área interna da igreja.
Tratada como insulto por alguns e por outros
uma viva realidade, o painel aclara fortemente o debate necessário em mantermos
a firme relação entre a História e a Antropologia.
METODOLOGIA
Dada a escassez de informações
mais profundas a respeito de um contexto histórico que remonte o processo de formação
religiosa católica em Esperantina-PI, houve uma optação por pesquisas
bibliográfica, a qual foi obtida por meio da busca em sites.
A PARÓQUIA – UMA BREVE HISTÓRIA.
A
Paróquia de Nossa Senhora da Boa Esperança foi instalada no dia 08 de fevereiro
de 1948, pelo bispo de Parnaíba, Dom Felipe Condurú Pacheco, e experimentou em
suas várias etapas, acontecimentos marcantes, grandes desafios e conquistas.
No
dia 28 de janeiro de 1948 tomou posse o primeiro pároco, o padre Joaquim Sabino Dantas e
ficou a frente até o dia 17 de fevereiro de 1951. O segundo pároco a continuar
com o trabalho da paróquia foi o padre
Jonas Pinto e fica a frente até o dia 24 de maio de 1953. O
terceiro pároco foi o padre Raul
formiga, onde reforçou o grupo Apostolado da Oração e fez doações de
bíblias para os fiéis.
Em
1957 assume os serviços da paróquia o padre Oséas Lopes de Mesquita. Cinco anos depois, em dezembro de
1962, assume o padre João de
Aragão Coutinho, quando este deixa a Paróquia, houve grande dificuldade
em se encontrar outro Pároco que pudesse assumi-la, mas, graças ao padre
Joaquim Sabino Dantas, após tantas recusas, assim falavam os mais velhos, aceitou
pela segunda vez, assumir os serviços da paróquia, em dezembro de 1968 e
permaneceu até o dia 02 de fevereiro de 1978.
Em
1978 o padre Ladislau João da
Silva, assume a paróquia e desenvolve grande trabalho de evangelização
dentro da paróquia, criou grupos de jovens, fundou a rádio Esperantina FM,
criou o centro de treinamento São Vicente, estabeleceu o intercâmbio entre
Esperantina e a Alemanha, entre outros.
Em
janeiro de 2001 assume o padre
Carlos Alberto Seixas de Aquino. Carlos Seixas fundou o Centro de Defesa
da Vida (CDV), reformou capelas nas comunidades rurais, fortaleceu o grupo de
coroinhas, criou a primeira escola de formação para Missionários do Meio
Popular, entre outros.
No
dia 28 de julho de 2007, assume a Paróquia o padre Hernesto Pereira de Oliveira e promove a reforma do
Centro de Treinamento São Vicente, troca do sistema de som e de todos os bancos
da igreja matriz. Padre Hernesto continua na missão de evangelização, junto com
as comunidades, as pastorais, os grupos, entre outros.
Padre Evandro Alves da Silva responsabiliza-se
pela paróquia de Esperantina no dia 22 de agosto de 2014 e deixa a gestão da
igreja no dia 28 de julho de 2017. Padre Evandro trouxe para Esperantina a
Comunidade Católica Shalom, fundou o Terço dos Homens, reformou parte da Casa
Paroquial, iniciou a reforma e ampliação da Igreja Matriz Nossa Senhora da Boa
Esperança.
No
dia 02 de julho de 2017, padre
Jeremias Mathias é empossado como pároco na Paróquia Nossa Senhora
da Boa Esperança.
A
POLÊMICA DO CALVÁRIO
O painel foi construído no ano de 1983 pelo
artista de Pedro II, João Batista Bezerra e na época o pároco era o padre
Ladislau João da Silva, um dos idealizadores da referida pintura. Naquele tempo
padre Ladislau foi acuado de retratar no painel, figuras ilustres, políticos e
fazendeiros de certa forma fazendo uma provocação à estas figuras. No ano de
2017 foi iniciada uma grande reforma na Igreja Matriz de Nossa Senhora da Boa
Esperança e o pároco da época, padre Evandro Alves da Silva, cogitou a retirada
do Painel da referida Igreja, denominado de o “Calvário de Cristo Hoje”,
provocando diversas mobilizações e levantando diversas opiniões a respeito
desta maravilhosa arte sacra. Veja a imagem a seguir:
O
painel pintado na Igreja não é somente uma “peça” de arte sacra, com
seu valor cultural artístico e religioso colossal, é mais do que isto,
representa parte da história social, política e religiosa do povo
esperantinense nos anos 80. História essa construída pelas Comunidades Eclesiais
de Bases (CEBs), pelos trabalhadores rurais organizados em sindicato, pelas
mulheres organizadas quebradeira de coco babaçu, pelos jovens e crianças.
Representa também um contexto político de forte antagonismo econômico e social
brasileiro, na dimensão deste município.
Diante da
tentativa de retirada da imagem do calvário, o povo se mobilizou, abaixo
assinados foram criados e diante de tamanha polêmica o padre Evandro foi
retirado da cidade e o governo do Estado consegui, através de decreto, tombar o painel e toda a igreja Matriz como
Patrimônio Histórico, Artístico e Paisagístico do Piauí. Com isso, passa a ser
protegido pela lei 4.515, de 1992, que trata da proteção do patrimônio cultural
do estado. Caso alguma intervenção seja realizada no local sem autorização
prévia do Estado, os proprietários poderão ser alvo de multa e terem a obra
embargada.
CONCLUÍMOS COM A PALAVRA (EM DEFESA DO
CALVÁRIO) DE PADRE LADISLAU JOÃO DA SILVA
O padre Ladislau João da Silva, que morou em Esperantina por 23
anos, defendeu a manutenção do painel, Segundo ele, o mesmo foi criado com a
intenção de trazer o calvário de Cristo para a realidade de hoje e para
contemplar um Jesus crucificado na vida dos pobres. "Não era para insultar
ninguém era para inquietar", explicou, acrescentando que a cruz de Cristo
nos inquieta, pois mostra o corpo de um jovem[Jesus] humilhado e desrespeitado,
que também está presente nas dores dos pobres e dos pequenos e se não quisermos
enxergar isso era bom tirar as cruzes das igrejas e colocar um Cristo diferente
e totalmente fora da realidade, o que não seria o papel da igreja.
O sacerdote disse acreditar que assim como Jesus, que sofreu,
mas depois foi glorificado, o sofrimento em nosso País chegará ao fim.
"O povo de Deus, tão sofrido nesses vários anos de Brasil, vai ser
vitorioso um dia. Essa estrutura diabólica, que produz a corrupção, fome e
miséria, vai acabar um dia', concluiu.
Ladislau disse, ainda, que tomou algumas posições em defesa
dos menos favorecidos que eram explorados e humilhados pelos
"grandes". "A gente estava iniciando o trabalho pastoral e a
caminhada da igreja naquela região e isso me deu muito fogo para anunciar um
Cristo que inquietava, não era aquele doce, mas comprometido com a libertação
dos povos", finalizou.
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